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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Cabeça feita e colorida !



É difícil detectar o exato momento que uma tendência nasce e quem é a figurinha responsável por recriar uma estética ainda embrião.  Até porque, nada vem do nada, e aí vira quase a brincadeira do ‘ovo e da galinha’. Quem veio primeiro? Não no caso dos cabelos coloridos e da sua multiplicadora no universo fashion, a modelo Charlotte Free. A nova queridinha das campanhas jovens e de marcas cool carimba a sua identidade de maneira rebelde e doce, simultaneamente. O tal cabelo rosa algodão-doce, sua beleza pura e a atitude rebelde é o pacote perfeito para quem quer se associar à estética new wave dos 80´s. A partir dela, um banho de tinta coloriu as ruas, festivais e todos os lugares aonde essa galerinha punk ‘do bem’ circula. Até que, recentemente, a tendência fez a cabeça de famosos como Katy Parry, Ke$ha, Nicki Minaj, dentre outras, num efeito arco-íris divertido. O interessante é perceber que todas essas cantoras viajam por esse universo kitsch, divertido e, porque não, ousado. Mas quem será que influenciou quem? Os artistas foram impregnados pelo espírito descolado de seus fãs? Ou os fãs copiaram o estilo das divas? Mais uma vez, como o ‘ovo e a galinha’, a discussão é cool e, ao mesmo tempo, irrelevante. A verdade? Já está nas ruas!


terça-feira, 19 de junho de 2012

Adidas X Opening Ceremony





Já falamos aqui no blog sobre as diversas parcerias que a Adidas está fechando para fisgar o público fashion, lembram? Além de Stella McCartney, a marca esportiva acabou de desenvolver uma coleção especial com a cool Opening Cerimony. O tema não podia ser mais adequado: os jogos olímpicos. Com a proximidade da estreia dos jogos em Londres, a Adidas aproveitou a inauguração da primeira loja da Opening Ceremony na cidade para uma dupla celebração.  Além disso, a tradução literal e o conceito puro da ‘Cerimônia de Abertura’ não podiam estar mais dentro do contexto atual. Como nos jogos olímpicos - aonde os gregos propunham a troca, fusão e participação de todas as culturas mundiais através do esporte - o objetivo da Opening Ceremony é aplicar essa teoria de globalização à moda. Como? O espaço, que já conta com duas filiais em NYC, uma em Tokyo e uma em L.A, reúne o trabalho de diversos talentosos artistas e designers, americanos ou não, em ascensão. Segundo eles, a intenção é propor um fórum internacional criativo no centro de Manhattan, mas que se espalha e comunica com todo o mundo. Se você tiver a oportunidade de passar por alguns desses países, não deixe de visitar a loja da Opening Cerimony, pois, com certeza, será uma experiência comercial, sensorial e cultural única!





Como vocês podem ver nas fotos da campanha, a coleção mistura elementos da natação e do ciclismo com a atitude de rua dos anos 90. As estampas psicodélicas, o minifloral caleidoscópio e os motivos de lenço e bandana (super hits da estação!) estão na coleção. Além do shape, os materiais seguem a pegada tecnológica e esportiva. O mais interessante é perceber como o étnico e o global está misturado nas peças e no conceito da campanha. O que nos mostra, mais uma vez, que a rica cultura de etnias milenares estão passando por um processo de reinvenção: na moda e na economia! 

Beijos, Carol.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

De raiZARA




Como uma imagem fala mais que mil palavras – principalmente para nós, da jpeg generation -, vou abrir mão dos textos longos e me resumir a essas no dia de hoje. Fresquinhas em dose dupla, as fotos do recém-divulgado lookbook da Zara (teen e mulher) trazem o frescor étnico do alto verão europeu. Só uma dica!? Pode!? Prometo! Reparem como a adaptação da tendência multicultural para o público jovem é bem diferente da interpretação voltada para a mulher madura. Não se esqueça de se comunicar com o seu público e, é claro, se inspirar! 







terça-feira, 5 de junho de 2012

De raiz !

Galeria La Fayette - Paris.

A Europa não está passando apenas por uma crise econômica, mas também por uma crise de identidade. Quisera eu ser a autora dessa afirmação tão preciosa! A verdade é que ouvi a impactante frase de uma economista italiana em uma entrevista para a maior emissora local e, insistentemente, ela não saiu da minha cabeça. Aliás, ela resumiu com maestria o ‘por que’ de a etnia ser uma das tendências-chave do verão europeu. A descrença no ‘modelo europeu’ e a ascensão econômica de países cheios de excentricidades (como o nosso) pilhou os designers a viajarem (literalmente) até esses locais de cultura rica e colorida. Marc Jacobs passou por aqui mês passado acompanhado do namorado, lembram? 

Dolce & Gabbana.

Galeria La Fayette - Paris.

Galeria La Fayette - Paris.

Prada.

Missoni.

Multimarcas em Pescara.

Índia, China, Japão, África, Brasil e outros países latinos foram os responsáveis pela animação na roupa e, consequentemente, no estado de espírito dessa Europa murcha, murcha. As padronagens étnicas - e suas misturas - são as principais responsáveis pela vitalidade nas vitrines e nas araras das grandes lojas. De fato, é quente e contagiante! Consequentemente, o mix de estampas se confirmou como o truque de styling número um por lá. A boa notícia é que misturar esses motivos de raiz não é mais motivo para desespero entre os simples mortais que acham tal aventura um risco para a estética, exatamente porque esse mix acontece tão naturalmente quando a natureza dessas culturas. A má: não é mais opção, é obrigação! 

Prada - Galeria La Fayette - Paris.


Galeria La Fayette - Paris.

Izabel Marrant.

As estampas geométricas africanas, as navajos indígenas e as coloridas e ricas indianas se confundem em um mar tropical de folhagens. (Essa outra vertente da estamparia inspirada na ilha paradisíaca, mais ligada à água do que a terra, a gente fala amanhã). Por enquanto, vamos nos ater a pluralidade dessas culturas, que trouxeram, além das estampas, as técnicas têxteis artesanais. O tricot, que vai te aquecer contra a brisa do final da tarde, tem trama tipicamente arraigada à cultura de cada país. Bom exemplo é a nossa renda e crochê típicos do nordeste! As bijoux, feitas de miçangas e balangandãs com vida, também são extraídas do universo natural desses povos. O maxi colar – que continua – se não é barroco, é artesanal. O couro, o chamois e todo tipo de tecido conectado com o mundo animal/natural sobrevivem mais do que nunca, assim como essas culturas. Cor quente de pôr do sol na África e toques de neon oriundos das frutas cítricas. Aliás, se antes era a banana da Prada e o abacaxi de Stella, agora, a bola da vez é a pimenta da Dolce. As flores abandonam o lado do doce liberty e florescem para valer: grandes, coloridos e até cafonas, como o girassol de Miuccia.



É tudo de e da raiz: autêntico, verdadeiro e calliente. Pelo menos nós, brasileiros, estamos em casa!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Pastelão !

Tom de pêssego lavado e o ainda hit das camisarias com golas bordadas.

Ação e reação. Essa verdade fashion absoluta faz com que tendências apostas se cruzem  em uma mesma estação causando um equilíbrio natural na estética 'da moda' - sem nem a gente perceber. Como falei no último post, a onda neon surgiu, na verdade, para reivindicar a aura pastel que pairou no ar europeu. Se há uma tendência soberana (se é que dá para eleger alguma na roda gigante e dinâmica da moda global) por lá, essa, sem dúvidas, está relacionada às cores açucaradas. Fuga da crise? Com certeza. A história da moda nos comprova que, impreterivelmente, quando o tempo fecha, os designers arrumam uma maneira romântica de nos convidar a escapar do tal caos – mesmo que de mentirinha. Aliás, a retomada dos Anos 50 tem muito a ver com essa fugidinha básica. Como naquela época, depois da guerra uma onda de ‘boa vida’, ‘mulheres perfeitas’ e ‘futuro próspero’ se espalhou pelo mundo. Marc Jacobs retratou essa mulher ideal na campanha da Louis Vuitton – marca (dentre outras) responsável pela chuva pastel. Aliás, já teve post sobre isso aqui. 


Vestido rosado entre as flechas neons da LV.

Pastel e mullet na Zara.

A chinesa com look todo açucarado.

Vitrine de uma lojinha fofa em Paris.

As bolsas da Furla unem duas tendências em um único produtos : candy colors e plastificado.

Até os homens entraram na dança - Zara.

Vitrine da Miu Miu - detalhe para a gola rosa e a silhueta feminina.

Loja local em Paris - Além do vestido, repare no scarpin azul bebê no canto da foto.


Brancos, chantilys e nudes.
Ao entrar na Zara, em meio a uma Champs Elysees abarrotada de orientais mal-educados, uma calmaria deslumbrante toma conta de qualquer coração inapetente por moda. O resultado? Desejo de consumir essa paz! Como quarto de bebê ou loja de doces, é impressionante a força (nesse caso, leveza) que as cores têm sobre nós. E se engana quem pensa que apenas as redes de fast fashion estão engajadas em implantar esses doces sentimentos no consumidor. São as lojinhas pequenas, repletas de produtinhos especiais desenvolvidos muito mais para a europeia local do que para nós gringos, que atingem fundo o coração e o bolso (ambos em crise) delas. E nossos!

Rendas e tecidos também delicados compõem a estética pastel - Zara.
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Por aqui, a coisa é mais complicada. Na contramão das economias decrescentes, o Brasil cresce na mesma proporção que o brasileiro acredita ser o dono da bola. Será que a mulher brasileira tá afim desse pastelão todo? Essa pergunta, só as vendas poderão responder. Mas vai uma previsão: sinceramente, não acho que o estado de espírito da menina/mulher do Rio esteja para doce, aliás, tá muito mais para pimenta. No entanto, algumas marcas apresentaram soluções incríveis para incorporar os tons pastéis na nossa rotina vibrante nos desfiles do Fashion Rio. Uma delas - e unânime -, é a mistura dos dois extremos de cores: fluo e candy. (Olha que charme o cintinho laranja neon no look rendado da Andrea Marques). A injeção de estampas florais, tropicais ou étnicas também é ótima maneira de vitalizar a produção. Pura e delicada, mas nem tanto assim. Dentre outros truques que, aos poucos, vamos desvendando por aqui, esses expressam ótimas saídas de styling para as apressadinhas que, mesmo no inverno, já almejam suavidade e doçura. Combinado?







segunda-feira, 28 de maio de 2012

Hora de fluorescer !



Scarpin Sergio Rossi.
Para o primeiro post pós-viagem de pesquisa de verão, fiquei na dúvida sobre o que abordar em meio a tantas novidades e inspirações colhidas entre Roma, Pescara, Turim e Paris durante exatos 11 dias. O gancho perfeito me veio junto a uma natural decepção, afinal de contas, depois de três temporadas, esse foi o primeiro Fashion Rio sem a cobertura diferenciada do caCOOL. Mas como diz o ditado: há males que vem para o bem! Enquanto vocês podem ler diversas ótimas análises dos desfiles em inúmeros sites web a fora, só aqui a conexão com o alto verão europeu e os desfiles de verão da semana de moda carioca será feita quase que simultaneamente. E se o caCOOL é um site essencialmente de pesquisa de tendências, há maneira melhor de confirmar, comparar e reivindicar as criações brasileiras com olho (e pé) na fonte de pesquisa desses criadores? E quanto ao DNA carioca? Será que essas tendências foram cuidadosamente adaptadas ao nosso lifestyle?  Ou será que são meros ‘ctrl c ctrl v’ da ideia gringa? Objetivo mais que explicado sobre os post que sucederão nesse espaço, vamos a eles!



Apesar de não ser a tendência-mãe por lá (na verdade, as cores vibrantes vêm exatamente para reivindicar a aura pastel que pairou no ar europeu), os tons de neon fluorescem com sucesso qualquer vitrine das big magasins. Naturalmente fake, essas cores cumprem o seu papel com louvor: chamar a atenção. Por essa eletricidade peculiar (tão comum também à mulher brasileira), me peguei refletindo: ‘Se não pegar neon no Brasil, não pega mais nada!’. Batata! A primeira matéria da Vogue sobre as #toptrends do Fashion Rio tinha os tons fluorescentes como destaque. Quanta ironia!

E lá vai outra ‘coincidência’! Marcas de espírito e cabeça jovem aqui e lá foram as que mais se respingaram de luz enérgica. O texto já era marcado e previsto, né não?  Bolsas (principalmente a tal Cambridge Satchel desfilada pela nossa amiga parisiense no Châtelet), sapatos e detalhes alegres são as principais ferramentas para eletrizar o look. Mais uma vez, os acessórios são a alma do negócio! A garotada europeia curte e a menina carioca (apesar de estar sempre voltada para um universo mais natureba) também vai curtir essa injeção de ânimo que é a cara verão. E, vamos combinar, não é difícil prever tal adesão em massa. Ou vocês se esqueceram da síndrome do scarpin fluo há, mais ou menos, três verões passados? A brasileira gosta e quer chamar atenção, assim como o nosso país (um vagalume em meio a tantas economias perdidas no breu da política do Velho Mundo). Somos a luz no fim do túnel!



Vitrine da Prada.

Street style no Châtelet.

Vitrine de loja local de Turim.

Interior da loja do Roberto Cavalli em Roma.

Vitrine da United Color of Benetton em Turim .

Vitrine enérgica de uma loja local de Turim.

Vitrine inspiradora e reflexo da oposição entre candy e fluo colors.



Beijos, Carol Gama.








terça-feira, 1 de maio de 2012

Plastifique-se !




Em dias de chuva torrencial como estes últimos na nossa cidade, o melhor é tirar a capa, a galocha e o guarda-chuva do armário! Como se não bastasse – e são os ventos gringos que indicam! –, o material plástico característicos desses objetos impermeáveis pretende invadir a estação do calor também. Boia de piscina, viseiras de acrílico e pegada tipicamente futurista (lê-se sessentinha!) são algumas das inspirações dos designrs lá de fora ao incorporar, mais do que o material, o efeito plástico à moda. Já falamos sobre as superfícies aquosas, os couros rezinados, o verniz e diversos outros materiais que garantem o tal visual industrial e, muitas vezes, o aspecto fake. Pois a intenção, que já era exatamente essa, se acentua ainda mais daqui para frente!


A mistura de referências opostas diverte os editoriais e campanhas plastificadas, como, por exemplo, a capa da Vogue Russa, que mixa a tecnologia do material a uma estética tipicamente vintage. O resultado? Look com direito a saia lápis aquosa, capacete-viseira retrô e plumas. Mais jovem, a adaptação da queridinha Topshop para a tendência é hiperesportiva. Aliás, foi essa a foto da campanha escolhida pela fast fashion londrina para anunciar a sua chegada em São Paulo! Das passarelas de Marc Jacbos e Dolce & Gabbana direto para os looks de street style de duas mocinhas que, obviamente, assistiram aos desfiles de verão e incorporaram a tendência no inverno. A capa-mimo da Burberry é, sem sombra de dúvidas, a adaptação mais fácil de emplacar.

Ainda nas ruas, outras apostas globais já estão sendo desfiladas no dia-a-dia fashion das gringas. A sandália alada da Prada é tão fake e caricata que parece fazer parte do figurino de Os Vingadores, né não? Ainda assim, tem gente ama essa pitada de humor fashion explícita na coleção da grife italiana. Pausa para um suspiro pelo oxford de plástico!  O par permite a mesma criativa brincadeira: é só escolher a meia do dia! Dentre vários produtos que já confirmam o plástico como grande tendência das próximas estações, são mesmo os acessórios plastificados os preferidos (e mais usáveis) da galera! Amanhã, se a chuva deixar, eu mostro mais!

Beijos !