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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Yayoi Kusama + Louis Vuitton


A parceria histórica entre a Louis Vuitton e a artista plástica Yayoi Kusama ganhou, essa semana, um novo capítulo. Além da coleção exclusiva - intitulada “Infinitely Kusama”-, que foi desenvolvida por Marc Jacobs em comunhão com a japa no ano passado, mas que só chega ás lojas agora, uma nova colab foi anunciada: a inauguração de pop-up stores de verão mundo a fora. A décor, obviamente, contará com muitos motivos de bolinhas – assim como as roupas. Os pontos escolhidos, além da loja principal, no Soho, em NY, foram Hong Kong, na China, Ngee Ann City, em Cingapura, e Tóquio, no Japão. Os detalhes da notícia vocês podem ler em diversos sites por aí, mas o que vamos destacar no post de hoje, além de outras parcerias entre a artista e a ‘moda’, são os importantes trabalhos, curiosidades e a própria história de Kusama – que, até então, eu também desconhecia. É para se inspirar e se cobrir poá!


O resumo da obra é relativamente simples: a japonesa trocou Tokyo por NYC quando percebeu, no final dos anos 50, que a estilo peculiar da cultura oriental não se encaixava no seu estilo artístico vanguardista – e vice e versa. A partir de então, ela foi associada a pop art (junto com Andy Warhol, Claes Oldenburg e George Segal) e ganhou destaque quando, no final dos anos 60´s, embalada pela liberdade hippie, expos pessoas nuas completamente pintadas com as bolinhas. A figura circular se tornou, então, sua rubrica artística.


A Lancôme lançou, há pouco tempo, uma fofa linha de gloss em parceria com a artista, que também já teve até marca própria, a Kusama Fashion Company Ltd, vendida na Bloomingdales no século passado. Depois dessas fashions colaborações, foi só agora que nasceu a mais expressiva na carreira de Kusama: com a Louis Vuitton de Marc Jacobs. O mais divertido é perceber como a estética repetitiva, colorida e provocadora de Yayoi Kusama injeta uma energia nova e, assim como ela, vanguardista, em marcas essencialmente clássicas. Pelos croquis da pop-up store da LV, é exatamente esse deslocamento que podemos esperar: lojas-conceito que funcionam bem mais do que simples pontos de encontro de luxo e consumo fashionista, mas, principalmente, que se comportam como galerias contemporâneas que, torna acessíveis a todos, diferentes formas de artes (pintura, instalação, ilustração, moda...) em um único local. O melhor disso? Os afortunados podem até levar um pouquinho desse mundo de bolinhas para casa, como se tivessem acabado de adquirir uma obra de arte de Yayoi Kusama por bons zeros a menos.


Então, quem está de malas prontas para algum desses destinos, não deixe de visitar o mais novo empreendimento de repercussão global que une moda+arte. Aliás, se seu destino é NYC, você vai poder se aprofundar ainda mais no universo da Yayoi Kusama, já que a própria LV está patrocinando a nova exposição da artista no Whitney Museum of Art. Enjoy!


YAYOI KUSAMA
12 de julho à 30 de setembro, 2012
Whitney Museum of Art.
945 Madison Ave. at 75th St.
New York, NY 10021 










terça-feira, 19 de junho de 2012

Adidas X Opening Ceremony





Já falamos aqui no blog sobre as diversas parcerias que a Adidas está fechando para fisgar o público fashion, lembram? Além de Stella McCartney, a marca esportiva acabou de desenvolver uma coleção especial com a cool Opening Cerimony. O tema não podia ser mais adequado: os jogos olímpicos. Com a proximidade da estreia dos jogos em Londres, a Adidas aproveitou a inauguração da primeira loja da Opening Ceremony na cidade para uma dupla celebração.  Além disso, a tradução literal e o conceito puro da ‘Cerimônia de Abertura’ não podiam estar mais dentro do contexto atual. Como nos jogos olímpicos - aonde os gregos propunham a troca, fusão e participação de todas as culturas mundiais através do esporte - o objetivo da Opening Ceremony é aplicar essa teoria de globalização à moda. Como? O espaço, que já conta com duas filiais em NYC, uma em Tokyo e uma em L.A, reúne o trabalho de diversos talentosos artistas e designers, americanos ou não, em ascensão. Segundo eles, a intenção é propor um fórum internacional criativo no centro de Manhattan, mas que se espalha e comunica com todo o mundo. Se você tiver a oportunidade de passar por alguns desses países, não deixe de visitar a loja da Opening Cerimony, pois, com certeza, será uma experiência comercial, sensorial e cultural única!





Como vocês podem ver nas fotos da campanha, a coleção mistura elementos da natação e do ciclismo com a atitude de rua dos anos 90. As estampas psicodélicas, o minifloral caleidoscópio e os motivos de lenço e bandana (super hits da estação!) estão na coleção. Além do shape, os materiais seguem a pegada tecnológica e esportiva. O mais interessante é perceber como o étnico e o global está misturado nas peças e no conceito da campanha. O que nos mostra, mais uma vez, que a rica cultura de etnias milenares estão passando por um processo de reinvenção: na moda e na economia! 

Beijos, Carol.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

De raiZARA




Como uma imagem fala mais que mil palavras – principalmente para nós, da jpeg generation -, vou abrir mão dos textos longos e me resumir a essas no dia de hoje. Fresquinhas em dose dupla, as fotos do recém-divulgado lookbook da Zara (teen e mulher) trazem o frescor étnico do alto verão europeu. Só uma dica!? Pode!? Prometo! Reparem como a adaptação da tendência multicultural para o público jovem é bem diferente da interpretação voltada para a mulher madura. Não se esqueça de se comunicar com o seu público e, é claro, se inspirar! 







terça-feira, 5 de junho de 2012

De raiz !

Galeria La Fayette - Paris.

A Europa não está passando apenas por uma crise econômica, mas também por uma crise de identidade. Quisera eu ser a autora dessa afirmação tão preciosa! A verdade é que ouvi a impactante frase de uma economista italiana em uma entrevista para a maior emissora local e, insistentemente, ela não saiu da minha cabeça. Aliás, ela resumiu com maestria o ‘por que’ de a etnia ser uma das tendências-chave do verão europeu. A descrença no ‘modelo europeu’ e a ascensão econômica de países cheios de excentricidades (como o nosso) pilhou os designers a viajarem (literalmente) até esses locais de cultura rica e colorida. Marc Jacobs passou por aqui mês passado acompanhado do namorado, lembram? 

Dolce & Gabbana.

Galeria La Fayette - Paris.

Galeria La Fayette - Paris.

Prada.

Missoni.

Multimarcas em Pescara.

Índia, China, Japão, África, Brasil e outros países latinos foram os responsáveis pela animação na roupa e, consequentemente, no estado de espírito dessa Europa murcha, murcha. As padronagens étnicas - e suas misturas - são as principais responsáveis pela vitalidade nas vitrines e nas araras das grandes lojas. De fato, é quente e contagiante! Consequentemente, o mix de estampas se confirmou como o truque de styling número um por lá. A boa notícia é que misturar esses motivos de raiz não é mais motivo para desespero entre os simples mortais que acham tal aventura um risco para a estética, exatamente porque esse mix acontece tão naturalmente quando a natureza dessas culturas. A má: não é mais opção, é obrigação! 

Prada - Galeria La Fayette - Paris.


Galeria La Fayette - Paris.

Izabel Marrant.

As estampas geométricas africanas, as navajos indígenas e as coloridas e ricas indianas se confundem em um mar tropical de folhagens. (Essa outra vertente da estamparia inspirada na ilha paradisíaca, mais ligada à água do que a terra, a gente fala amanhã). Por enquanto, vamos nos ater a pluralidade dessas culturas, que trouxeram, além das estampas, as técnicas têxteis artesanais. O tricot, que vai te aquecer contra a brisa do final da tarde, tem trama tipicamente arraigada à cultura de cada país. Bom exemplo é a nossa renda e crochê típicos do nordeste! As bijoux, feitas de miçangas e balangandãs com vida, também são extraídas do universo natural desses povos. O maxi colar – que continua – se não é barroco, é artesanal. O couro, o chamois e todo tipo de tecido conectado com o mundo animal/natural sobrevivem mais do que nunca, assim como essas culturas. Cor quente de pôr do sol na África e toques de neon oriundos das frutas cítricas. Aliás, se antes era a banana da Prada e o abacaxi de Stella, agora, a bola da vez é a pimenta da Dolce. As flores abandonam o lado do doce liberty e florescem para valer: grandes, coloridos e até cafonas, como o girassol de Miuccia.



É tudo de e da raiz: autêntico, verdadeiro e calliente. Pelo menos nós, brasileiros, estamos em casa!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

TOP 10 | Outono Inverno 2013 | Over


O quarto, apesar de não ser o primeiro, é o tema mais importante do nosso TOP 10 Outono Inverno 2013. Digo e repito: ser over está na moda! Como a maioria das outras tendências, a extravagância também é pura evolução dos hits da temporada de verão. Prova viva e atual, as revistas de moda desses últimos meses reluzem campanhas (como exemplo, Prada e suas máxi joias) e editoriais exuberantes. Para o próximo inverno, a evolução não é natural – muito pelo ao contrário. O tema ‘ over ’ exalta tudo o que existe de mais montado, exagerado e fake no universo fashion.  Praticamente todas as importantes marcas apostaram em materiais diferenciados para desenvolver suas coleções, o que garante ainda mais exclusividade a essas peças-desejo. Será que essa foi a saída encontrada pelas grifes para driblar as cópias em massa? Parece que sim, já que ninguém duvida que os ricos bordados, texturas inovadoras e matérias-primas nobres elevam a dificuldade de reprodução e comercialização barata. A onda é ‘altocosturar’ o pronto-para-vestir ! 


De volta ao luxo ostensivo, outra grande aliada de marcas como Prada, Louis Vuitton e Miu Miu em busca dessa estética over, foram as pedrarias. A tendência já foi anunciada nos sites gringos, por isso, vale um zoom nos superbordados que elevaram tais peças de roupa à categoria de joias preciosas. Localizadas ou pontuadas, essas aplicações foram vistas, em sua maioria, fundidas a estampas e outras texturas. Ou seja, o bordado nunca está sozinho! Na verdade, ele aparece para acentuar ainda mais algo já chamativo! Too much pro seu gosto? Pois saiba que a mistureba vai muito além dos tecidos bordados + estampados. Materiais rendados, metalizados, brocados, aveludados e com transparência são algumas das superfícies que mais apareceram mixadas nas passarelas de outono inverno. O quê de dramaticidade se acentua (se possível!) devido a cartela de cor: preto, dourado e variações de rosa foram os tons preferidos dos designers. Aliás, a coleção da Dolce & Gabanna foi teatral além da conta, exatamente como pede a tendência. 


E se você achou que tudo já tinha sido sobrecarregado, se esqueceu de reparar no volume dessas peças. Aquela história de tecidos ricos equilibrados por shapes minimalistas fica no verão, pois o que se viu nos desfiles de inverno foram peças avantajadas, principalmente nos quadris e nos ombros. Para finalizar, ainda há o próprio volume que essas aplicações somam, inevitavelmente, aos tecidos. Por isso, atenção ao ser over! A tendência é, de fato, perigosa em todos os sentidos. Ainda assim, eu já vejo um montão de brasileiras se jogando de cabeça no carnaval invernal !





segunda-feira, 2 de abril de 2012

TOP 10 | Outono Inverno 2013 | Conjuntinho






O terceiro assunto do TOP 10 Outono Inverno 2013 também já é conhecido e reconhecido como supertendência: o conjuntinho. A arte de casar propositalmente peças da mesma estampa ou da mesma cor reapareceu com a avalanche de referências vintages (principalmente dos anos 30 e 40) nas últimas temporadas. Mas se antes o par perfeito para tal casamento era o de blazer e saia - o famoso tailleur –, o próximo inverno vai além. Desfilado por Prada, Miu Miu, Louis Vuitton e outros grandes nomes internacionais, o terno ganhou diversas interpretações nada sóbrias. Apesar do shape clássico e da referência masculina, os terninhos estão mais chamativos, femininos e atuais do que nunca! A grande (e principal) aliada de tal rejuvenescimento é, sem dúvida, a estamparia. Cores, motivos que se repetem, texturas e beneficiamentos exuberantes formam superfícies que desafiam o nosso olhar. Aliás, apesar do papo sobre matérias primas nobríssimas ficar para amanhã, é impossível não perceber o quanto elas reanimaram a moda e os seus clássicos, como o próprio conjunto de blazer e calça de alfaiataria.


Com a mesma importância dos conjuntinhos, é fácil perceber também o quanto os looks monoprint chacoalharam as passarelas invernais. Quando a moda era ser minimalista, a onda eram os looks monocromáticos, já que a moda agora é máxi, que venham os looks estampadamente coloridos por inteiro. Vale tudo! O styling de vestido + capa da Mulberry e o de calça + blusa do Peter Pilotto exemplifica perfeitamente a tendência, que, pode apostar, vai além do terno. Mesmo que essas peças não tenham sido criadas com o objetivo de serem usadas juntas (o que na maioria das vezes, o é), ouse mixá-las sem dó nem piedade.  O resultado é incrível, atual e, porque não, cafona? Apesar de poucas grandes novidades na estação, os desfiles Outono Inverno 2013 tiveram um importante propósito: reafirmar o over como in. A tendência, literalmente, é que o conceito de ‘cafona’ seja limado do vocabulário fashion.  Melhor que isso? A palavrinha que tanto assombra a cabeça de algumas mulheres por aí deve até se tornar um adjetivo nobre. Sobre a inversão, que pretende acabar com pré-conceitos, a gente fala amanhã. Eu já estou exageradamente animada! 

Beijos,

Carol Gama.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Um Dia Internacional da Mulher florido para você !




Que mulher não gosta de receber flores? Nesse dia especial para todas nós, o caCOOL celebra do jeitinho que a leitora gosta: com um post florido e recheado de inspirações para comemorar o Dia Internacional da Mulher em grande (e delicado) estilo. 

A estampa floral nos enfeita a todo tempo, seja na primavera (sua estação DNA) ou em outras épocas do ano aonde precisamos dessa leveza natural. Com a proximidade do nosso inverno, muitas marcas já desabrocharam suas coleções e os motivos florais também, como a Maria Filó e a Checklist. Com inspiração oriental e super feminina, a estampa agora viaja por essa tendência do outro lado do mundo. Se em outras temporadas nos deparamos com um buquê do miudo floral liberty, nessa, ele sai um pouco de cena e dá lugar a motivos maiores, exuberantes. A sensação é única e vibrante, como se a flor saísse da roupa para a vida real, em três dimensões. E elas são reais mesmo: fotografias digitalizadas e imprimidas em tecido, meninas! Em uma vertente menos tecnológica, as flores também aparecem com influência retrô: a estampa de margaridas da Prada é o que há de mais vintage. Uma única florzinha reproduzida várias e várias vezes em fundos delicados. De flutuar!

Se o assunto é estampado, não poderíamos deixar de citar duas (e opostas) maneiras de usá-los.  Misturar florais entre si pode ser um desafio tão prazeroso quando apostar em conjuntinhos, sabia? O primeiro requer um refinamento de bom senso e atrevimento - e só! Cores que se comuniquem, tamanhos alternados e até efeitos diferentes são boas dicas para quem quer se florir da cabeça aos pés com equilíbrio. O segundo, apesar de mais fácil produção, requer dupla personalidade: o look em uma só estampa pode parecer careta, mas a intenção é exatamente resgatar o passado e poder ser ‘mulherzinha’.  As fotos de street style nos mostram soluções bem reais para o probleminha. Daí, você pode aprender como organizar o seu jardim! Em tempos de Meninas Super Poderosas, hoje (pelo menos), podemos nos dar o direito de sermos delicadas, amorosas, e, simplesmente, mulher. Parabéns! 





quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Overdose de Nick Minaj e M.IA !





Música e moda cantam e vestem comportamento – não necessariamente nessa ordem. As duas artes se influenciam desde sempre, por isso, é comum nos chocarmos na história com estrelas da música que, além desta, reluzam também o seu vestuário. Tanto que esses tais ícones acabam se confundindo, não é mesmo? Muitas vezes, nem nos lembramos se o carinha surgiu da música ou se a moda surgiu dele. O que importa é que a sua mensagem seja a mesma nas duas artes e comunique igual e intensamente nessas duas vertentes de massa - aí não é fake, é essência. Ganhamos nós! Indignação, repressão, sensualidade e, até mesmo, a simples vontade de ‘crescer e aparecer’ são alguns dos causadores de uma roupa assim ou assado. Por esse último fator (e por conta também de uma boa dose de ironia, diga-se de passagem) os estilos extravagantemente estranhos adotados por algumas cantoras atuais tem se disseminado. Ou seja, vale ser fake propositalmente!




Antes se falava de Lady Gaga, agora as bolas da vez são Nick Minaj e M.I.A.  As duas hip hop girls andam conquistando, além dos fãs, diversos veículos de moda  mundo a fora. Nick ganhou diversas capas Vogues de norte a sul, e na última matéria sobre a rapper, que saiu na recém-lançada Vogue britânica de março, ela aparecer à La Avatar sedutora: pele azul, vestido vermelho e cabelo rosa. Color blocking incorporado na pele! No Brasil, a mesma revista dedicou uma super matéria a ela em sua última edição. A capa by Adriana Lima é linda, mas não se deixa enganar pela superfície – o conteúdo do folhetim fashion está ir-re-sis-tí-vel. Já M.I.A,  lá fora é queridinha da QG e outras mais, por aqui, a revista Serafina da Folha de São Paulo dessa semana também ousou citar o seu estilo árabe ousado.



Misturar, gritar e exagerar é o lema no estilo de ambas as moçinhas, que adoram e exploram looks atuais, divertidos e originais nesse mood de overdose. Eles contam com dose extra de praticamente tudo: estampas, cores, brilhos, acessórios e, principalmente, influências. Talvez por suas heranças culturais (Nick nasceu em Trinidad e Tobago e M.I.A tem origem do Sri Lanka ), a verdade é que as duas sabem misturar referências globais como ninguém. A urbanidade está lá, afinal de contas, elas são fruto dessa geração pop de rua, mas além dessa, suas produções contam também com boa dose de tribalismo, orientalismo e barroquismo. Print geométrico vibrante se confunde com grafites, que se mesclam a motivos barrocos e beneficiamentos de diversos lugares do mundo (índia, áfrica...). Desvendar os looks das meninas é tomar uma coça de cultura e brincar de Onde está o Wally?, ou seja, divertido e sábio. Acima de tudo, é kicth e é para aonde os ventos da moda sopram: ao infinito e além! Ser cafona, definitivamente, está na moda. 




quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Resumo SPFW | Quinta-feira





Animale : Na mesma vibe do seu último desfile de verão, o inverno 2012 da Animale é equilibrado: maduro e sensual, dubiamente. Inspirada na aristocracia russa, a coleção foi essencialmente rica como a referência, vide os tecidos glamorosos como o veludo e os bordados localizados. Além das peles, tão características da indumentária dos Czares, outra forte aposta da marca foram os tecidos nobres que revelavam supertransparências. Pele à mostra e os tais brilhos garantiram a feminilidade da coleção, desenvolvida, basicamente, em silhuetas retas à La Anos 20 - comprimento midi e fluidez andaram lado a lado, aplicados exatamente a essa estética tubular. Tricôs bem trabalhados, cartela chique e marcante (bordot, vermelho, petro, champagne, dourados e alaranjados) e a atitude elegante, poderosa e contemporânea, marcaram o inverno 2012 da Animale.







Tufi Duek : Viagem à Lua e além! A coleção, assinada por Eduardo Pombal, viajou por duas vertentes opostas e que tanto conversaram anos atrás: o futurismo e a década de 60. Nada de looks metalizados  em linha A (tão comuns naquela época ), na verdade, o metal estava aplicado a vestidos  e sais lápis supercolados ao corpo, em forma de foguete. Para abrilhantar a constelação arrebatadora, bordados reluzentes e localizados. Branco, preto, dourado, ocre e prateado deram o tom do inverno da marca, muitas vezes desenvolvido em texturas craqueladas e rochosas. Além de toda a feminilidade da silhueta, fendas e babados localizados - na cintura e barra das saias – agregaram classe e elegância natural aos looks. Resumindo: shape retrô quarentinha em tecidos com efeito tecnológico e sofisticado.






Cori : uma cavalaria chiquérrima e superfeminina travessou a passarela do SPFW para desfilar o inverno 2012 da Cori. Envolvida no espírito hípico, a marca acertou a mão, mais uma vez, nessa coleção. Bem acabadas, clássicas, mas com várias referências atuais, as peças brincaram entre texturas mil e acessórios inteligentes - como a ombreira de couro e os cintos-cela. Fendas, transparências e maxidecotes deram um ‘quê’ sensual à amazona contemporânea. Além do mais, a oposição dos tecidos leves e pesados e suas variantes proporções, garantiram equilíbrio e porte eqüino! Cartela do campo: verde musgo, marrons, black, canela, folha seca,laranja e azulados, SEMPRE com texturas brilhosas,reluzentes e sofisticadas. Alfaiataria, limpeza de linhas e algumas poucas e boas sobreposições. Chique que dói!







Osklen : guerrilheiras verdes ergueram a bandeira em prol da sustentabilidade – esse é o espírito da coleção de inverno 2012 da Osklen. O estilista Oskar Metsavaht, desde sempre engajado nessa causa, foi o responsável por traduzir as questões socioambientais em roupas. Para começar, tecidos orgânicos e ecológicos, logo depois, a estampa camuflada com motivos super geometrizados: atual e idealista! Outra estampa interessante apareceu, essa adaptava as folhagens amazônicas ao clássico flower power setentista . O shape bem construído e minimalista, tão característico da marca, foi revigorado por cores incisivas e vibrantes: azul Klein, laranja, vermelho e  verde musgo. O também clássico mescla e preto da Osklen apareceram, sim. Sobreposição, transparência localizada e o comprimento míni ajudaram a contar essa história necessária: a natureza está em migalhas e os estilistas devem, mais do que nunca, pensar e/ou fornecer novas propostas para o vestir. Necessidade global e atual !






quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Fashion Rio : decorativismo x geometrismo





Além da ‘camisa mania’, também abordamos ontem diversas alianças que ajudaram a elevar esse item tão clássico do nosso closet a categoria de hit da estação - golas mil, transparências, bordados e estamparias originais, são algumas delas. Essas tais alianças não ficam restritas apenas a camisaria, aliás, foi a própria camisaria que se apoderou delas. São, na verdade, macro tendências que migraram e circularam por diversas peças, com as mais variáveis interpretações. Vamos e devemos pontuá-las, pois são essas tendências que nos guiarão a um inverno fashionista! Hoje, começamos com os opostos que se atraíram: decorativismo e geometrismo.




Decorativismo : a onda de bordados, tecidos texturizados e aplicações mil que a moda outono/inverno mergulhou, tem muito a ver com essa tendência esplendorosamente exuberante. Oriundos dos séculos passados, os tecidos brocados e mega ornamentados aterrissaram na passarela internacional a fim de garantir uma brisa nostálgica para a estação. Esse resgate nada mais tem a ver do que com a estética luxuosa e a ostentação Barroca, que em tempos de crise mundial, funcionam como válvula de escape para os problemas cotidianos. As peças desenvolvidas a partir desses tecidos cheios de abundância, com certeza, nos levam diretamente para a extravagância do séc. XVII !




Geometrismo : na contramão do decorativismo pomposo, a geometria chegou para enquadrar e simplificar tudo o que transborda do copo com a tendência over. A silhueta geometrizada corre, paralelamente, por duas vertentes: o minimalismo contemporâneo e a retrô de referência sessentinha. Linha A, peças arquitetônica e formas contidas são amigas, em sua maioria, de cores vivas ou P&;B. Quando não monocromáticos, esses looks são coloridos por estampas também geométricas (ou até por aquelas do décor): poá, listras e motivos étnicos se confundem e misturam numa miscelânea atualíssima.




Repararam no equilíbrio entre essas duas macrotendências?Se há efeitos decorativos demais na estampa e/ou tecidos,  o shape com linhas simplificadas trata de colocar o nosso pé no chão, ou seja, na nossa tão concreta contemporaneidade.


Beijos,

Carol Gama.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Fashion Rio | Alessa







Os desfiles da Alessa são sempre irreverentes e nada convencionais, e é isso que faz das suas peças tão marcantes e características - não importa a coleção ou estação.  Para o inverno 2012, não foi diferente: o ponto alto continua sendo a estamparia da marca, que dessa vez, viajou até a Pérsia para se inspirar na linda tapeçaria da região e na sinuosidade das plumas. A coleção Céu na Terra se aprofundou nos mais variados motivos étnicos dessas duas vertentes, valorizado pelos bordados  das miçangas e pérolas, que resultaram em texturas rústicas super inovadoras. Mais uma vez, os tecidos pesados como o jackcard, o tricot e o linho foram suavizados pela leveza do crepe de seda aplicado às modelagens extra fluídas. Bicos, assimetria e peças desestruturadas desenvolvidas através da técnica de moulage, criaram um lindo efeito visual com estamparia a de efeito caleidoscópio. Já a estrutura, ficou por conta da alfaiataria e dos tecidos que aquecem no inverno, como a lã. Nos acessórios, turbante e ankle boot de camurça para concluir e inspirar essa viagem instigante e quente. Quente também foi a cartela, que viajou predominantemente por diversos tons terroso como o ocre, marrom e laranja. Ao som de Gal Costa, as lindas modelos com cabelo trançado flutuaram pelos tapetes estendidos na passarela. Tapete mágico, original e com a cara da Alessa!



















Fotos : Cristian Faxola