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domingo, 17 de junho de 2012

Destaques SPFW | 16/06







Cavalera : 

Se há uma palavra que combina perfeitamente com o desfile da Cavalera, essa palavra é polêmica. Não só pela muralha de profissionais da moda que encerrou o desfile da marca a fim de reivindicar uma atençãozinha de Dilma, mas também pelos diversos contrastes e sensações opostas que a coleção despertou – boas ou ruins. Adorei a locação trash que serviu de passarela para falar sobre uma Bahia deteriorada, aliás, o hilo de materiais, proporções e estampas foi constante nos looks desenvolvidos a partir de muitas sobreposições. Por falar nisso, se a calça sobre saia já foi anunciado como truque de styling lá fora, por aqui, a Cavalera conseguiu refrescar e abrasileirar a proposta. O conceito é bom, mas será que pega?

André Lima :
André Lima até tentou fazer uma coleção mais próxima do consumidor popular, mas não tem jeito: ele nasceu para brilhar no corpo das mulheres mais glamourosas do país! Seus vestidos poderosos, esvoaçantes, com estampas e tecidos especiais são a cara dessa consumidora/fã do trabalho do estilista. A pegada over, vibrante e com um ‘quê’ étnico da coleção se resumem nessas duas fotos: o que falar do maxi brinco geométrico e do vestido pavão? Esse é o André Lima na essência e o que queremos ver no SPFW! Tomara que ele continue deixando as peças comerciais só para a sua parceria com a Riachuelo e que, na passarela, faça o que sabe de melhor: arte.

Têca:
Já estava com saudade de ver as coleções da Têca na passarela! Do Rio para São Paulo, acho que Helô Rocha acertou ao migrar para a semana de moda mais importante do nosso país. A Têca merece mais atenção pelo cuidado, carinho e histórias deliciosas que conta por traz de cada look das suas coleções. Ainda assim, o DNA da sua menina-mulher, apesar de cosmopolita, é carioquíssimo – deve ser por isso que me identifico tanto com o mood romântico, relax e naturalmente chique da marca! Lindos os conjuntinhos e as estampas que, juntas e misturadas, refletem a jornada da mulher que roda o mundo - para isso, óbvio, referências de culturas mil!
                                                                     
                                                                     Fernanda Yamamoto:
Inspirada em um arquiteto e em um artista plástico, a coleção arquitetônica de Fernanda Yamamoto seguiu por essa onda experimental - tão essencial durante um processo criativo. E teve experimentação de ponta a ponta: formas inusitadas, dobraduras, materiais incomuns, jogo de cores e estamparia... E apesar da Fernanda sempre criar roupas-design, bons looks comerciais cruzaram as passarelas. Achou irreal? A consumidora da marca é vanguardista e vai adorar essa nova forma de fazer roupa!
                                                                         
                                                                              Amapô:
Quando já pensamos ver tudo nos looks chamativos da Amapô, a ferramenta ‘zoom’ faz com que a gente desvende ainda outras mil coisas por traz da atitude over, divertida e cheia de informação característica da marca. Olha que incrível o franjado de canutilho do primeiro look! E a estamparia dos outros dois? O tecido floral de babados com fios metalizados e o colorido psicodélico neon não podem passar despercebidos entre tantos bons (e energizantes) momentos do verão da marca! Muitos bons drink para comemorar, então!

Samuel Cirnansck:
O preciosismo artesanal que Samuel imprime em suas peças é de tirar o fôlego! Cada rico bordado, volumosa camada e transparência delicada faz com que o estilista se enquadre na categoria de estilista-artesão. E mesmo que não exista ‘alta-costura’ por aqui, a sofisticação, a exclusividade e a qualidade das criações de Samuel fazem com que ele seja o número um quando o assunto é roupa de festa. Nenhuma atriz faria feio no tapete vermelho com uma criação do estilista - muito pelo ao contrário! Aposto que vai ter muita gringa querendo ser ninfa nos bailes de gala pelo mundo!







sábado, 16 de junho de 2012

Destaques SPFW | 15/06


Reinaldo Lourenço:
 Reinaldo Lourenço foi além dos clichês do universo náutico nesse verão. Esqueça a roupa de marinheiro, as âncoras e a combinação marinho + vermelho + branco. O azul que aparece na coleção do estilista é esse aí: oceano, vivo e... Klein! Além disso, o trabalho experimental com os ilhós (como na barra do vestido) rendeu modelagens inteligentes e detalhes criativos. E o que falar desse micromatelassê que serviu de base para ótimos looks? Sinal de que a textura pode ser atual e não precisa sempre estar atrelada a vertente vintage!


R.Rosner:
Rodrigo Rosner domina a moda festa muito bem, e é por isso que seu segundo desfile foi, novamente, recheado de vestidos de arrepiar! Tecidos nobres, bordados luxuosos, transparência e peças com ar exclusivo contaram um pouco da cultura Húngara na passarela do SPFW. Mais uma vez, essa foto do backstage resume perfeitamente o clima de glamour que pairou no ar com seu desfile! Detalhe para a sandália alada que, assim como a plumagem, fez a mulherada flutuar pela coleção.


                                                          Alexandre Herchcovith- masc. :
Interessante ver que, por trás de uma história bem contata – Alexandre viajou até a Segunda Guerra Mundial para desenvolver sua coleção masculina –, também existem bons links com a moda atual. É quando  o passado e o futuro se encontram! As fortes tendências do vestuário feminino para o próximo verão, como as texturas aquosas e plastificadas, o mix de estampas e a cartela pastel, foram moldadas com louvor (e masculinidade!) ao universo do guerrilheiro.

                                                                      Glória Coelho:
Glória Coelho é o espelho de um futuro criativo, inovador e instigante. Nesse verão, ela foi parar em 2035, mas, ainda assim, não se distanciou dos desejos de 2012. Aliás, ainda que, traçando um caminho contrário ao de Hercovitch no seu desfile masculino (ele olha para trás, e ela para frente), ambos conseguem trazer esse universo e tempo distantes para o presente. Os ombros arredondados, as capas de chuva tecnológicas, a cartela calma e as matérias-primas plastificadas - como no detalhe de dois dos lindos looks do seu desfile - confirmam a grande designer que Glória é.

Vitorino Campos:
O SPFW ainda nem acabou, mas já há um forte candidato ao ‘título’ de melhor coleção da temporada. Em um dia recheado de desfiles importante e com grandes nomes da moda brasileira, a estreia de Vitorino Campos mostrou que ele pode (e deve!) estar entre eles. Com uma linha mais minimalista e clássica, a coleção de verão de Vitorino passeou, principalmente, entre os também clássicos e minimalistas tons de P&B. A graça ficou por conta dos vestidos rodados à la Dior, das saias lápis e alfaiataria impecável, e da transparência pontuada em recortes charmosos. Quem disse que menos não era mais nesse verão?

Lino Villaventura:
Teatral, o desfile de Lino Villaventura teve o decorativismo como seu aliado número um. Isso quer dizer que o pegada over das peças desabrochou uma coleção cheia de Vida (nome escolhido para intitular o verão 2012 do estilista): volume, bordados, transparência, camadas de tule, tecidos nobres e tudo mais que o traje de um Baile de Máscaras tem direito! As máscaras, por sinal, não só eram lindas, como ajudavam a embalar o clima do desfile. A bagunça no backstage mostra que as modelos entraram na dança!












sexta-feira, 15 de junho de 2012

Destaques SPFW | 14/06


Neon:
Todas nós já conhecemos (e adoramos!) o universo irreverente, colorido e vaporoso da Neon. Deve ser por isso que, dessa vez, o que mais me chamou atenção no desfile cigano da marca foi, exatamente, uma vertente oposta do DNA de Dudu e Rita– vertente essa, até então, desconhecida por mim. Os looks mais sóbrios (lê-se menos estampados), compostos por alfaiataria clássica e com pegada boysh foram a boa surpresa do dia!

João Pimenta:
A aventura de João Pimenta é conceituar o guarda-roupa masculino. Entre peças possíveis e impossíveis, há uma unanimidade: os modelos que cruzaram a passarela do SPFW desfilaram belezas quase irreais - como alguns looks! Lindas também foram as peças desenvolvidas a partir desse linho rústico, quase saco de batata. Aliás, a atmosfera étnica desses dois looks é encantadora.  Zoom no par de slipper tramado que eu quero para mim já!

Julinana Jabour:
Ju Jabour acertou ao investir em um sportswear luxuoso para o próximo verão, mas sem deixar seu toque romântico boho de lado – resultado do mix de referências 80´s e 70´s na coleção da estilista, respectivamente.  A coleção é tão gostosa e comercial que não é difícil eleger uma peça-desejo! A bolsa-saco apareceu em diversas versões: lisa em nude e azlul klein, e listrada em terrosos (conjuntinho cool!) e cartela de verdes-água.  

                                                                    Jerfferson Kulig:
Tem Rio+20 por aqui e Jerfferson Kulig em SP. Tal comparação é necessária exatamente porque o estilista se dedicou, nessa temporada, a utilizar e desenvolver apenas tecidos sustentáveis. O resultado é surpreendente, já que a qualidade de tecidos nobres, como seda e tafetá, não foi afetada. Cool, né? E se o futuro da moda caminha para tal evolução, o shape da coleção não poderia ser diferente: pegada futurista. Ombros avantajados, recortes inusitados e tecidos de efeito surpreendente, como essa telinha, moldaram a coleção do estilista. 

Osklen:
A tendência tá pra Osklen! A marca de DNA praiano nem precisou se esforçar para acertar a mão entre conceito e comércio, já que, em 2013, o sol reluz a seu favor. Fazendo o que sabe de melhor e, ainda assim, com um tempero de design apurado que brinca com o rústico e com o hi tech, a marca estava se sentindo em casa (ou melhor, na praia). Adorei a sequência solar dos alaranjados de pôr do sol que mixou elementos naturais (como a palha) e tecnológicos (como o maxi colar plastificado)!

Colcci:
Há sempre uma certeza nos desfiles da Colcci: as tendências que já gritam pelo mundo serão bem adaptadas para a passarela brasileira. E não é que o assunto caiu como uma luva em relação aos últimos assuntos abordados aqui blog? Além dos looks que exploram a vertente fluo e pastel em sua totalidade, os que imprimem o equilíbrio entre esses tons apostos (como o do meio) são os mais inspiradores! Mais uma marca a mergulhar no fundo do mar, a Colcci já encheu seus consumidores de água na boca.




quarta-feira, 13 de junho de 2012

Destaques SPFW | 13/06





Água de Coco:
A Água de Coco trouxe para a passarela do SPFW uma riqueza artesanal inovadora para a moda praia. A coleção, inspirada na Turquia, teve o étnico (que tanto já falamos por aqui!) como referência-mãe.  Tramas, texturas, aplicações e recortes inovadores - além da linda estamparia - me fizeram viajar até a Capadócia sem precisar sair do computador!


UMA:
Nem a UMA, marca síntese do minimalismo, conseguiu dar as costas para a tal tentação dos tecidos texturizados e nada básicos. Na medida, a franja localizada e o crepe de seda riscado translúcido revelaram movimento e uma sensualidade sofisticada à coleção. Aliás, os maxi colares emborrachados com pegada africana também trouxeram à tona esse lado, digamos, over da mulher UMA.


Adriana Degreas 
Mais do que um beachwear luxuoso, Adriana Degreas sabe fazer, como ninguém, roupas de luxo que transbordam a orla. O que dizer do barroquismo aplicado, literalmente, a esses três looks? A saia lápis cravejada, o macaquinho de tricô metalizado e o longo bordado de micro paetês dourados são peças-chave do verão urbano e que, nas mãos da Adriana, prometem ser também adequados ao pós-praia.  Lushuo!


Forum:
A Fórum deixou sua pegada rocker de lado e resolveu mergulhar no universo tropical brasileiro. Olha que delícia esse look com estampa de caipirinha! Um brinde a Marta Ciribelli, estilista que teve a missão de reintegrar a marca ao calendário fashion paulista. O verde-lima do shortinho e a textura aquosa da ‘t-shirt’ são só algumas das boas (e comerciais) tendências de verão que apareceram na passarela da Fórum!  






Destaques SPFW | 12/06


Paula Raia:
O jogo de mostra-esconde da Paula Raia é a arma ideal para as mulheres que querem se sentir sensuais e frescas na medida. Aliás, é exatamente no verão que a brasileira deseja, mais do que nunca, essas sensações. O tom de bruma do mar, os recortes, o tule, a silhueta fluída e a pele a mostra, juntos, resultam nesse look que, apesar de longo e de manga comprida, é hot!

Ellus:
Essa foto clicada pelo Sergio Caddah é do backstage da Ellus. No entando, o resumo da obra traduz tão bem a sereia dark proposta pela marca, que essa poderia até ser a foto da campanha, né não? Detalhe para o incrível anel-barbatana e para o óculos com shape de snorkel. 

Movimento:
A estilista da Movimento, Tininha de Fonte, acertou em cheio ao transportar o mullet para o seu lugar de origem: a praia.  Imagina que delícia vestir por cima do biquíni essa estampa tropical e, para arrastar corações, desfilar a sua cauda de sereia esvoaçante no balneário dos sonhos? Fora os acessórios de guerrilheira, o look é super real!

                                                                                Iódice:
Não, você não está ficando louca! Realmente, o fundo do mar está causando um tsunami na moda. Mais uma marca a explorar o tema marítimo, a Iódice balançou meu coração com esse vestido cítrico. A textura de esponja, o toque neon das anêmonas, o shape que mistura a referência scuba com o volume e balanço das algas e o efeito translúcido aquoso foram coroados com o cinto de tubarão!

Ronaldo Fraga:
Do mar para a terra! Que Ronaldo Fraga representa como ninguém a nossa cultura, isso não se discute. Deve ser por isso que, ao se inspirar no Pará, ele tenha redescoberto o étnico brasileiro, o de raiz. Estou, até agora, quebrando a cabeça para desvendar como ele conseguiu esse efeito de mosaico amadeirado para essas peças. Alguém aí?








segunda-feira, 11 de junho de 2012

Destaques SPFW | 11/06


Animale:
Melhor do que a atitude da mulher Animale - que une o despojamento do espírito livre do safári com a correria da cidade - é a roupa que a veste com esperteza (e sempre conectada com o tal lifestyle hilo!). Existe zebra mais cosmopolita que essa? É tipo Marty fugindo do zoológico de NYC e querendo descobrir a savana de Madagascar. Cool! 

Alexandre Herhcovitch:
Love(and fun) is in the air para Herchcovitch. No clima Dia dos Namorados 80´s, o estilista nem precisou de cupido para acertar em cheio o coração das fashionistas com esses dois looks do desfile: shape, estampas e cores para não passar despercebido. Os modelos, que misturam o xadrez P&B ao quente amarelo e vermelho, são, sem dúvida, o calorzinho que faltava para os amantes celebrarem com diversão o dia de amanhã! 

                                                                       Tufi Duek:
 Dentre tantas novas maneiras de se calçar um sneaker, a versão do Tufi Duek vai ser a preferida das mulheres que não abrem mão da sofisticação nem no calçadão de paralelepípedos. O tênis de cano alto embutido criado por Isabel Marant foi apenas o primeiro star para um sport chique urbano. Tufi foi além e o resultado é esse: scarpin branco abotinado com direito a material acolchoado e cadarço como de um sneaker. Ame-o ou deixe-o?

FH por Fause Haten:
Fause e seu decorativismo peculiar nem se esforçam para entrar na dança das tendências verão 2013. Incrível a atitude black power misturada ao luxo dos bordados, transparências, estampas aquareladas e modelagens couture. A mega gargantilha de placa de metal tem tudo para substituir o maxicolar barroco e as golinhas destacáveis do inverno. 


Triton:
Assim como na última temporada, o top do desfile da Triton foi a estamparia. Porém, além das incríveis imagens que saltam os looks já afastados do corpo, outro elemento acentuou de vez o efeito tridimensional das peças: as ricas texturas.  A mistura entre motivos brocados, estampados, metalizados e bordados cria esse efeito elétrico e cheio de referências para viajar de cabeça.





segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Oriente-se !





 O orientalismo não é apenas tendência de moda, apesar de muitos só fazerem essa associação. Aliás, há uma boa e única explicação para ele ter se tornado alvo preferido dos grandes estilistas há razoáveis temporadas: o oriente é tendência de mercado no mundo inteiro. Com a segunda maior economia do mundo, a China, por exemplo, é a principal culpada desse boom asiático na moda (e da moda na Ásia). Pesquisas afirmam que as principais marcas de luxo, como Luis Vuitton e Hermés, têm lucros expressivamente maiores nas vendas por lá. Só pudera, já que os chineses contam com uma humilde população de 189 bilionários!


E até que demorou, não acham? Carros, eletrônicos e vários outros produtos desenvolvidos do outro lado do mundo, já tinham dominado o nosso mundo há tempos. Agora, o caminho é inverso, já que os produtos associados à cultura ocidental são os preferidos por lá. A moda, como sempre, só acompanha o navegar do barco, ou melhor, da economia. O resumo dessa obra é uma troca mútua entre moda e oriente. Eles nos inspiram de cá, nós vendemos a rodo por e para lá. Vamos combinar que, depois de anos de repressão cultural, a mulherada de olho puxado quer mais é soltar a franga e consumir MESMO. 


Mais fácil ainda gostar desse produto se você enxerga a sua cultura nele, né Marc Jacobs? Não só ele para a Louis Vuitton, mas também Gucci e vários outros olharam para o oriente a fim de se inspirar nessa cultura instigante, rica e milenar. Não é curioso? Uma cultura tão tradicional e antiga só experimentar o gosto da liberdade de consumo agora?  Enfim, o resultado dessa inspiração você já conhece e viu bastante nos desfiles nacionais de inverno 2012, como no Alexandre Herchcovitch, André Lima, Neon e Patachou. Decorativismo, kimonos, obis, cores e bordados ricos e florais delicados são algumas das raízes orientais que representam bem a ‘adaptação’ fashionista. Mas de nada importa essa bonita interpretação se ela não vem de dentro, da raiz. O orientalismo dos europeus e americanos é caricato, superficial, nada além das aparências óbvias. 

Bom, eis que bate a nossa porta um chinês radicado no Canadá, aos 10 anos de idade, chamado Jason Wu. O novo queridinho da moda desafia a todos ao retratar essa semana em NYC, em seu desfile de inverno 2012/13, a china que ninguém foi capaz de desvendar. Decorativismo? Só na parte em que ele retrata a dinastia Qing, a última China imperial. De resto, o país como ele é (ou era): muitas referências militares e poderosas para traduzir a China comunista. Mais feminina e glamorosa, a outra parte da coleção remetia aos anos 30 do filme Shanghai Express. País das dualidades socioeconômicas, Jason Wu soube traduzir com elegância do que a real China de trata: avanço versus tradição e riqueza seletiva. Tudo isso sem drama, da maneira como a moda deve ser feita: celebrando. Aliás, a moda deveria ser sempre assim, feita por quem tem propriedade e sabe fazê-la! 



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Resumo SPFW | Terça-feira





Neon: nada de túnicas esvoaçantes e maxi caftas na coleção da Neon, muito pelo ao contrário. Nesse inverno, a marca apostou em peças estruturadas e com shape ajustadinho ao corpo.  As famosas estampas estavam lá, mas também não foram o foco principal de Dudu Bertholini e Rita Comparato, já que elas apareceram apenas para arrematar e entusiasmar algumas produções animadas por si só. Looks monocromáticos de cores vibrantes e outros compostos por essas mesmas cores misturadas entre si revelaram um inverno calliente e extravagante. Na contramão dos tons monótonos e do brilho texturizado, a marca trouxe peças clássicas (como a alfaiataria e os vestidos midi colados) e outras mais ousadas (como as sais em pétalas estruturadas – puro conceito). Se depender da Neon, o tomara-que-caia continua sendo o decote preferido das brasileiras, e o chapelão confirma o clima veraneio em pleno inverno!







Fernanda Yamamoto: inspirada no Renascentismo, a promissora estilista apresentou um inverno rico como o tema. Super estampada, a coleção trabalhou de maneira chique e original a mistura entre esses motivos geométricos e repetitivos. Além da estamparia, outro forte ponto da coleção foram os bordados localizados: no colo, nas mangas e em recortes específicos, esses pontos de luz foram fundamentais para sofisticar ainda mais as peças de toque clássico. A alfaiataria, a camisaria, a feminilidade da saia-lápis e dos vestidos justos ao corpo foram muito explorados, além de outras peças levemente armadas, contemporâneas e até com toque esportivo. A cartela passeou pelos tons terrosos de marrom, ocre ecamelo, preto, vermelho, verde-musgo e rosê – tudo bem contido, elegante e diluído nessas estampas marcantes. O ombro também ganhou atenção especial da estilista, que além de bordá-los, investiu em volumes e shape arredondado.







Alexandre Herchcovitch: alfaiataria e muitos toques esportivos reinaram na coleção masculina de Herchcovitch, ambos, aliás, migraram entre si o tempo todo. Tecidos tecnológicos e clássicos se alternaram em uma silhueta sport chique, seja pelos casacos de neve volumosos, pelos quimonos arrematados por faixas ou bermudas-calças listradas. Nada caricata, mas facilmente detectadas, essas referências do sportswear foram adaptada a uma estética contemporânea. Nada com isso, o tema era o judaísmo, aí entraram as franjas e luvas de couro típicas da indumentária religiosa. Branco, preto, marinho e outros tons azulados coloriram elegantemente o inverno do estilista, que usou bastante o efeito acolchoado em alguns casacos e abotoamento duplo ou transpassado em outros. Calças mais curtas e folgadas ( até com elástico na barra) ou sequinhas, todas foram desfiladas com barras despojadamente dobradas. 







Amapô: a marca propôs uma brincadeira interessante em um jogo de ‘mostra’ e ‘esconde’. Peças super fechadas, como os macacões de malha, e outras repletas de recortes que revelavam a pele, foram transformadas pelas estilistas Carolina Gold e Pitty Taliani e expostas como esboços. Na verdade, a idéia era explorar as bases, as linhas e as principais estruturas que compõe uma peça de roupa, para isso, desestruturar a modelagem foi fundamental. Esse conceito se transformou em uma coleção também conceitual, mas com boas peças usáveis, como os vestidos que comportados, com gola alta e manga comprida. As mais experimentais foram, sem dúvida, as camisarias, que pularam do estilo clássico direto para o estilo arquitetônico. Enquanto se podia presenciar looks bem construídos, também se podia ver, logo depois, o seu raio-x. Estampas maluquetes, aplicações, transparência e efeito metalizado  ajudaram a nortear esse universo da experimentação, aonde tudo é possível e nada é errado.






André Lima: no último desfile da temporada, o estilista foi muito feliz ao abordar a temática mais interpretada nesse inverno 2012: o decorativismo. Texturas mil, estampas exuberantes, brilhos, brocados e volumes transbordaram na passarela ao representar, principalmente, a estética oriental. Gueixas contemporâneas, que usam além do quimono, vestido tubinho, alfaiataria e até saias volumosas, desfilaram uma imensa gama de ricas matérias-primas. Dourado, laranja, preto, azul klein e violeta foram alguns dos tons imponentes que coloriram a mistura de estampas e os tecidos com fios metalizados. Além do orientalismo, uma onda espanhola também pairou no desfile, com looks construídos a partir de camadas, muitos babados e calças de cintura alta como as dos toureiros. Extravagância, boa dose de irrealidade e muito luxo nos detalhes. André lima desenvolveu uma coleção em que o mundo e suas várias culturas a inspirou, e com isso, ele nos leva junto a esses lugares tão maravilhosos e icônicos.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Resumo SPFW | Segunda-feira





Glória Coelho: o ar futurista ainda é a estética preferida da estilista, mas dessa vez, ela surgiu aliada a uma boa dose de feminilidade. O inverno 2012 de Glória é estruturado, arquitetônico, repleta de modelagens que desafiam a nossa percepção, e com toque sensual contemporâneo. A transparência, os babados localizados e abundantes (teve até Peplums – no jeito rígido de Glória!), micro e mídi comprimentos, recortes reveladores e shape ajustado ao corpo, foram algumas das interpretações da estilista para essa mulher, que até quando sexy, é inovadora. Os tecidos são sempre estruturados, não importa a sua natureza, rígida ou leve. Por exemplo, o couro, a alfaiataria e a pele de vaca foram intercalados a tules e organzas delicadas, o que garantiu um equilíbrio visual interessantíssimo. A cartela também contribuiu para esse aquilíbro : gelo, chantilly, areia, preto, camelo e pequenas doses vibrantes de vermelho, prata e verde-lima. Até ela apostou nos bordados, nos ombros arredondados, nos conjuntinhos e outras mais tendências já anunciadas, mas ainda assim, Glória sabe originalizar o comum e transformá-lo em incomum! 







Maria Bonita: inspirada na região Norte do Brasil e, principalmente, na Amazônia, o inverno da marca trouxe cores barrentas à passarela do SPFW. Mistura de materiais com efeito natural e clássico foram muito explorados, como na alfaiataria, no crochê, nos bordados artesanais e tricôs felpudos.  O shape é modernete, afastado do corpo (exceto os looks arrematados por cintos fininhos) e em comprimentos mídis - tudo bem característicos da marca. Além disso, volumes e elementos oversize também foram utilizados. A brincadeira entre diversos materiais e suas cores foi inusitado, principalmente pelo efeito metalizado, pela coloração verde musgo, jade, mostarda e bronze. As folhagens que cobriam a passarela, muitas vezes se confundiam aos looks apresentados, seja pela textura ou  pelo tom florestal. Assim como a estética total, bem rústica, as tramas e tecidos construídos a partir dessas formaram efeitos gráficos.






UMA por Raquel Davidowicz: depois de dois anos out da semana de moda paulista, a marca trouxe mulheres reais a passarela do evento. Não só pela coleção usável e minimalista, mas, principalmente, pela escolhe de não-modelos para desfilar as criações da marca. Minimalista, contemporânea e pé no chão , o inverno da UMA é para mulheres dinâmicas, básicas e até com pegada masculina. Os looks, em sua maioria, atemporais, revelaram também tendências do inverno: o próprio minimalismo, metalizados, tecidos texturizados e cartela neutra. Outra boa proposta tem a ver com o caimento das peças, já que a fluidez e estrutura desfilaram lado a lado várias vezes. Tecidos moles e pesados, casacos bem arquitetados, tricôs e couro amarrotado, viajaram por tons de mescla, P&B, terrosos e vermelhos. Clean, bem acabada e destinada a mulheres que, muitas vezes, não tem tempo e nem saco para modinhas, só para uma boa roupa.







João Pimenta: coleção masculina não é sinônimo de simplicidade e 'mesmice' na concepção do estilista, pelo ao contrário. O inverno 2012 em sua interpretação será decorado, pomposo e com muita dramaticidade. Desenvolvido, principalmente, a partir de experimentações em cima da clássica alfaiataria, a coleção misturou muitos elementos vintage a contemporâneas. Lembra dos homens que eram os verdadeiros ícones de moda nos séculos passados? Pois bem, se Luis XV vivesse nos tempos de hoje, ele vestiria João Pimenta. Smoking recortados, alfaiataria com mistura de tecidos (e, conseqüentemente, texturas), padrões ornamentados, calças culotes, maxi saias, sobreposições de efeito armadura, coletes variados e lapelas criativas foram algumas das peças-figurino apresentadas no SPFW. A cartela dark e misteriosa foi pontuada por veludos, brocados, couro e um curioso tecido resinado com efeito de manchas. A impressão era de que esses homens tinham acabada de terminar um "longo plantão em meio a leprosos miseráveis" e, mesmo assim, não esqueceram a elegância dos históricos Dandys. Drama, mesmo!




Lino Villaventura: sereias exuberantes desfilaram os vestidos de festa de Lino nesse inverno. Vestidos volumosos, com preenchimento de tule nas saias e arrematados por um tecido com efeito de barbatana abriram o desfile do estilista. Negros e com toque aveludado, os tecidos nobres se alternaram nessa peças impactantes. Bordados cristalizados, decotes generosos e transparências expuseram o corpo dessa mulher teatral, que além dos mega vestidos, também vestiu peças coladas ao corpo. Maxi capas foram utilizadas para arrematar alguns looks poderosos e dramáticos, sem falar nos arranjos-máscara nos cabelo. Na cartela, além do preto e suas nuances texturizadas, nude, vermelho, laranja e estampas surrealistas. A coleção parecia representar o closet da Rainha Úrula, aquela vilã-polvo da Pequena Sereia: volumosa, imponente e dark. 


domingo, 22 de janeiro de 2012

Resumo SPFW | Domingo





Cavalera: cool e mais urbana impossível (já que o tema da coleção era o ar metropolitano dos centros das cidades), foi nesse clima que a Cavalera desfilou o seu inverno 2012. A atitude, ora romântica (repare na linda aplicação de tule e renda em alguns looks menina-fatal), ora dark (preto,jeans escuro e couro fetiche), ora boho (os acessórios e estampas com ‘que’ de folclore), era sempre permeada por uma e principal vertente da marca: a jovialidade street. A sofisticação dos bordados e rendados foi quebrada, exatamente, pelo uso das malhas e das jaquetas utilitárias, por exemplo. Esse equilíbrio também aconteceu no shape: enquanto propostas mais ousadas, de modelagens inteligentes e feminilidade glamorosa desfilavam, outras cleans (a calça skinny sobrevive!), de tênis no pé, e usáveis no dia-a-dia da cidade formatavam o styling. A verdade é que a Cavalera e, principalmente, o jovem, quer usar, mistura e ousar com tudo o que a moda lhe oferece. Sobreposição típica e nova mistura de tecidos refinados, matérias-primas tecno/elaboradas e outras clássicas/básicas, silhueta sensual produzida e descompromissada, simultaneamente. A beleza à la Amy já me conquistou.Tudo isso faz parte do universo street, ou seja, Cavalera!







Jerfferson Kulig: o inverno do estilista é versátil: toque esportivo, romântico, clássico e até inovador. Essa mistura de tudo um pouquinho deu-se muito por causa da escolha do tema - o campo e o meio urbano - que são, de fato, meios contratantes. Duas vertentes de cartela, uma candy e outra bem concreta, literalmente, foram exploradas em shapes minimalistas e com muita mistura de tecidos. Transparência, texturas diferenciadas, aplicações de flores e boas formas geométricas foram desenhadas por recortes de tecidos e beneficiamentos - uma brincadeira de construção que funcionou! Saias estruturadas, vestidos retos e destaque nas mangas (compridas, 3\4, arredondadas e com trabalhos de mostra e esconde).







FH por Fause Haten : mesmo que com um tema já super explorado, o inverno de Fause não se deixa enganar: o tropicalismo na visão dele é elegante, sofisticado e com nenhum aspecto de natureza – a não ser pela linda estamparia de folhagens. Os bordados impactantes, assim como os tecidos acetinados, garantiram nobreza a esse tema natural. Além disso, shape super feminino, lânguido e de cintura bem marcada para retratar essa deusa da mata. Decotes generosos, transparência sensual, beneficiamentos riquíssimos, transpasses e estolas de pele negra agregaram ainda mais poder a essa mulher. Meio vintage e até áureo, os vestidos de festa surpreenderam pela elegância e nobreza dos detalhes. O pescoço, colo e ombros foram, sem dúvida, muito explorados e destacados pelo estilista, que propôs boas proporções, assimetrias e elementos expressivos na área, como as próprias estolas. Negro, variações de verde, branco névoa, violeta, dourado... Naturalmente chique!







Juliana Jabour: repleto de peças-desejos e produções tentadoras, o inverno 2012 da estilista de público teen trabalhou duas propostas centrais: anos 20 e 60. Por um lado, cinturas rebaixadas e vestidos molengos, por outro, linhas firmes e cores vibrantes. Com pitadas indianas devido ao filme Viagem a Darjeeling, a cartela rica e com estampas étnicas pontuou a linda coleção, que por sinal, é bem comercial. Golas fofas, conjuntinhos college, tricôs confortáveis, transparência, plissados, camisaria e metalizados, são apenas algumas das tendências hit da estação que aparecem no inverno de Juliana. Amarelo mostarda, azul celeste,vermelho, preto e terrosos pintaram os tecidos, alguns contaram com o efeito metal, brilhoso e texturas cool, como o jacquard. Outro ponto a favor foi a boa aposta em peças com clima sportswear chique: agasalhos e  zípers compuseram bem os looks romântiquinhos. Hi-lo, perfume vintage e eu, obviamente, quero já!







Colcci: visivelmente mais madura, a Colcci embarcou numa onda mais clássica e menos teen nesse inverno. Peças de alfaiataria e com toque vintage predominaram na coleção, assim como a cartela camelo, o que revelou uma gama de peças atemporais, ainda que repleta de tendências. Sensualidade e pele a mostra, apenas no hot pant e na composição de sais godês com costelinha de fora. Além dessas peças, a saia-lápis apareceu em diversas interpretações, a mais fetichista, em couro (muita utilizado), com certeza vai pegar! Tricôs pesados,coloridos e de pontos largos foram os responsáveis pelo jogo de leveza e proporções, eles aparecem maxi com calça skinny ou saias ajustadas e nos tops croppeds utilizados com as saias mídis, principalmente. Equilíbrio a parte, a irreverência apareceu no mix de estampas xadrez, grunge atual e sofisticado, nos recortes e texturas alternadas em um só look. Jeans + jeans, shape sessentinha, boas peças estruturadas em lã, plissado romântico, transparência e muitas outras opções de tendências. Essas sim, o público Colcci adora, assim como Alessandra Ambrósio e Ashton Kutcher na passarela!


sábado, 21 de janeiro de 2012

Resumo SPFW | Sábado





Reinaldo Lourenço : inspirado em Notre Dame, o inverno do estilista é gótico como a arquitetura da catedral e chique como Paris. Aquele olhar misterioso que envolve o monumento, muito pelas esculturas das gárgulas e santos, estava explícito no desfile negro interpretado por Reinaldo. A coleção foi pontuada por duas vertendes: peças bem construídas, arquitetônicas, recortadas e com silhueta ajustada ao corpo e outra mais fluída, sensual e curvilínea. Fiel ao tema, o shape só podia ser esse, já que a estética gótica abrange o verticalismo e curvas quebradas.  Na outra metade do desfile, estampas inspiradas nos lindos vitrais da Catedral iluminaram e suavizaram o desfile. Capuzes e formas lânguidas lembravam a indumentária das freiras, essas, porém nada santas: transparência, couro, veludo, pele fake e vinil arremataram essas produções com uma boa dose de sex appeal e, até mesmo, sadomasoquismo (metaleiro clean!). Golas padres e altas – super comportadas – contrastaram com decotes profundos e com essa atitude sensual vermelha e preta, super incorporada nas modelos e nas peças que elas vestiam. Sombrio e instigante!







Ellus: Fetichista e rocker, a coleção inverno 2012 da marca usou e abusou do couro e dos looks total blacks. Resultado: mais Ellus impossível!  Por outro lado, boas surpresas tentadoras, como a mistura de tecidos texturizados e de propostas contrastante (como a renda e o próprio couro metalizado), metais bronzeados nos beneficiamentos, cores vibrantes e cintos-armaduras. O toque feminino, em meio a tantas referências heavy-metal, ficou por conta dos babados localizados na cintura, aquela tendência já anunciada dos Peplums – mas na Ellus esses são power! Peles sofisticadas arremataram os looks mulher-gato - no couro preto, vermelho, laranja desbotado e até pêssego. O bordado de paetês retangulares e abundantes e os tecidos mais fluídos de poucos e bons looks também funcionaram. Comprimento mini, fendas, transparência, e muita, mas muita atitude cool!







Mario Queiroz: o decorativismo, tendência-chave do inverno 2012, traçou a coleção da marca nessa estação. Misturas abundantes de tecidos imponentes, de beneficiamentos, estampas, motivos e texturas, resultaram naquela estética rica e sofisticada familiar ao tema. Em compensação, o shape é bem Mario: alfaiataria bem resolvida e construída, porém, com nuances interessantes de peças urbanas. A mistura do clássico e do moderno foi vista em blazers X jaquetas perfecto,pela cartela, ora dramática, ora real, e nas saias usadas com sobreposição de calças. Aliás, muitas sopreposições apareceram, nas mais  interessantes, uma montanha de peças com aspecto vintage formatavam looks meio grunges. P&B, mesclas, azul violeta, laranja e metalizados estavam lá, assim como os bordados localizados e as estampas geométricas,inspiradas no modernismo.






Huis Clos: a contemporaneidade a Huis Clos não perde a direção, não importa a estação. Nesse inverno, ela estava lá na predominância dos tons urbanos de mescla e no minimalismo comedido dos shapes, ainda sim, elaborados. Na marca, o menos, definitivamente, é mais. E nem por isso, o que se parece simples, o é. A limpeza de formas, a alfaiataria bem acabada e a brincadeira entre malha e tecido plano, desafiam com inteligência a nossa percepção. O romantismo perfumou a coleção com tons pastéis, rendinhas e cintura marcada por finos cintos. Tecidos molengas e pesados, como o veludo molhado e as malhas grossas ,como o moletom, se alternaram em estrutura e desestrutura. Tudo bem comedido! Os ombros arredondados, forte tendência, é a cara da cliente Huis Clos, não à toa, ele super apareceu. Efeito envelope, zípers, recortes e estética proposital dos tecidos inacabados, somaram, ainda mais, independência a essa mulher. Ah! A inspiração veio das lingeries vintage – chique e feminino.






Samuel Cirnansck : o inverno do estilista inspirado em peles e jóias - super-desejos femininos - foi, obviamente, decorado. Bordados de pedrarias reluzentes e os efeitos texturizados dos tecidos nobres garantiram certa dramaticidade à coleção, que além desses, abordou muito volume. Era tudo máxi: brilho, babados, plumas, transparência.  A estética pomposa, até meio cinematográfica, só confirmou o talento do estilista para vestidos de festa, se não, de baile. Cisnei negro é pouco para Samuel! A cartela black and white e dourado, apesar de simplificada, era riquíssima, exatamente pela abundância de elementos decorativos. A seda tinha efeito de pele real, e foi criada especialmente para essa coleção. Além desse, todos os outros mini detalhes, juntos, fizeram a diferença no visual feminino e sofisticado da coleção. Feminilidade é a palavra nesse inverno: sensual, justo ao corpo e revelador, a silhueta vestiu  verdadeiras sereias.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Resumo SPFW | Sexta-feira





Pedro Lourenço: o estilista já havia apresentado essa mesma coleção nos desfiles pré-fall em NY, mas a ansiedade em torno do seu inverno não diminui por aqui. Os fashionistas brasileiros querem mesmo é ver Pedro e seu produto – considerado, internacionalmente e atualmente, o de melhor qualidade e vigor criativo -  desfilaram em seu solo!  A coleção, inspirada na Patagônia e nas terras gélidas da região, contou com o mesmo preciosismo de linhas, materiais e estampas que elevaram o estilista a esse superior patamar. Além da estrutura e minimalismo de suas peças, para esse inverno, ele ousou pontuá-las com uma delicada fluidez. Ou seja: peças equilibradas, menos rígidas e levemente mais femininas. A alfaiataria primorosa continua, assim como a estamparia precisa – dessa vez, com paisagens do local-referência. Recortes, shapes tubulares, ombros arredondados, calças retas e uma brincadeira com volumes (nos bottons ou nos tops, e vice e versa) foram explorados em tons gélidos e iluminadores. A pele de lhama fake garantiu ainda mais sofisticação à coleção, que só confirmou o que os rumores já previam: ele é o cara do momento!








R.Rosner :  se o assunto é vestido de festa, nada melhor do que uma coleção arrebatadora e dramática! Na estréia da marca comandada por Rodrigo Rosner, muitos tecidos nobres, impactantes e repletos de beneficiamentos que os exaltaram ainda mais - como bordados, aplicações e brocados. A coleção, inspirada nas mariposas, vestiu as modelos como verdadeiras damas de preto, exceto pelos pontos de luz coloridos causado por manchas estratégicas que imitavam as asas do inseto. A transparência foi o principal apelo do estilista nesse inverno, seja causada pelos tecidos leves e vaporosos, pelas rendas vazadas ou por microtules interpretados em segunda-pele. Sensualidade e sofisticação, e um ‘quê’ de espetáculo.  Cintura marcada, longos esvoaçantes, babados localizados, e muito, mas muito brilho, nos bordados e tecidos acetinados. Além do preto na cartela, também teve nude, dourado, azul klein, violeta e amarelo. Decorativismo puro e luxo!






Alexandre Herchcovitch : o inverno do renomado estilista é mínimal e com shape predominantemente oval, principalmente nas mangas, busto, saias e eggcoats.O efeito redondamente inflado é uma grande aposta internacional, e se confirma na passarela brasileira com a coleção de Herchcovicth no SPFW e no Fashion Rio (lembram que sua marca de jeans também abordou esse shape?). Tecidos ricos e de nuances opostas garantiram contemporaneidade aos looks da coleção, como a junção de renda e lã numa mesma peça, e verniz e alfaiataria em outras. Além dos pesos, esses tecidos também se diferenciavam na textura (nervurada, brilhosa, aveludada...), o que resultou em um visual ora retro, ora modernete - para isso, brocados, chamois, verniz, metal emborrachado, acetinados, e aqueles outros que já citamos logo em cima. A gama de matérias-primas equilibrou a limpeza de linhas e a silhueta seca. O efeito transpasse/envelope também conquistou: com zíper, botão ou até mesmo seguro por faixas, eles destacaram, literalmente, os casacos (choppeds ou mídis), saias e camisas. Outra boa aposta, anote aí: peças bicolores com efeito dubble face, e debruns coloridos com efeito recorte. A cartela é bem inverno 2012: bordot, camelo, marrom, amarelo mostarda e tons alaranjados.







Iódice : super feminina e até sensual, a coleção do Iódice surpreendeu pela pegada elegante-poderosa. Mas só podia ser dessa maneira, já que a inspiração vinha de um livro aonde rock stars vestiam Versace. Além dessa pegada rock glam, peças clássicas e com muitas referências gregas (repare na gladiadora nos pés!) foram adaptadas a tecidos imponentes, texturizados e sofisticados. A cintura rebaixada e alguns looks tubulares não esconderam a pegada sexy da coleção, exemplo da estampa de cobra, o verniz, o couro, os bordados, os metalizados e as transparências. A cintura marcada também apareceu, mas o shape soltinho e confortável predominou, principalmente em blusas e vestidos frente-única. Outras várias variações de decotes e recortes exaltaram os ombros e colo da mulher – comportado redondo, elaborado sensual e o comercial tomara-que-caia. Babados, toques assimétricos e franzidos e repuxados localizados moldaram a silhueta lânguida da coleção. E mais metal, mais camisaria, mais bordados, e tudo mais o que inverno 2012 está pedindo!






Triton : com pegada clean e geométrica, mas ainda sim jovem, a Triton fechou o segundo dia de desfiles do SPFW. A estamparia, principal aposta dessa coleção, apareceu em praticamente todos os looks: seja em um mix divertido entre elas, em conjuntinhos pijamas com padronagens idênticas ou até naqueles conjuntos diferenciados, mas estrategicamente  bem compostos. Assim como o shape arquitetônico, a estampa evoluiu na mesma vibe, com listrados, bolas, formas góticas e até meio psicodélicas – e se essas deram movimento aos looks, a cintura soltinha e alguns babados também o fizeram. A cartela de cores era invernal e com pitada sombria: cinza envelhecido, preto, azuis-esverdeados, laranjas, mostardas, e com nuances de camelos típicas do inverno 2012. Viva e sóbria, estampa e silhueta! Ainda que mais madura, a coleção conseguiu despertar desejo teen e alternativo,  vide os vestidos bem estruturados e sensuais na medida, na camisaria-hit, os sweaters-curingas e na clássica alfaiataria fit. Além do mais, a atitude é fresh, contemporânea, urbana e com a cara da cliente Triton, que assim como a marca, almeja novos vôos.  Nos tecidos, firmeza alternada a fluidez, recortes e bordados pontuados, tweeds joviais e tricôs. Aliás, como na maioria dos desfiles dessa temporada, a alternância de texturas reinou na Triton. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Resumo SPFW | Quinta-feira





Animale : Na mesma vibe do seu último desfile de verão, o inverno 2012 da Animale é equilibrado: maduro e sensual, dubiamente. Inspirada na aristocracia russa, a coleção foi essencialmente rica como a referência, vide os tecidos glamorosos como o veludo e os bordados localizados. Além das peles, tão características da indumentária dos Czares, outra forte aposta da marca foram os tecidos nobres que revelavam supertransparências. Pele à mostra e os tais brilhos garantiram a feminilidade da coleção, desenvolvida, basicamente, em silhuetas retas à La Anos 20 - comprimento midi e fluidez andaram lado a lado, aplicados exatamente a essa estética tubular. Tricôs bem trabalhados, cartela chique e marcante (bordot, vermelho, petro, champagne, dourados e alaranjados) e a atitude elegante, poderosa e contemporânea, marcaram o inverno 2012 da Animale.







Tufi Duek : Viagem à Lua e além! A coleção, assinada por Eduardo Pombal, viajou por duas vertentes opostas e que tanto conversaram anos atrás: o futurismo e a década de 60. Nada de looks metalizados  em linha A (tão comuns naquela época ), na verdade, o metal estava aplicado a vestidos  e sais lápis supercolados ao corpo, em forma de foguete. Para abrilhantar a constelação arrebatadora, bordados reluzentes e localizados. Branco, preto, dourado, ocre e prateado deram o tom do inverno da marca, muitas vezes desenvolvido em texturas craqueladas e rochosas. Além de toda a feminilidade da silhueta, fendas e babados localizados - na cintura e barra das saias – agregaram classe e elegância natural aos looks. Resumindo: shape retrô quarentinha em tecidos com efeito tecnológico e sofisticado.






Cori : uma cavalaria chiquérrima e superfeminina travessou a passarela do SPFW para desfilar o inverno 2012 da Cori. Envolvida no espírito hípico, a marca acertou a mão, mais uma vez, nessa coleção. Bem acabadas, clássicas, mas com várias referências atuais, as peças brincaram entre texturas mil e acessórios inteligentes - como a ombreira de couro e os cintos-cela. Fendas, transparências e maxidecotes deram um ‘quê’ sensual à amazona contemporânea. Além do mais, a oposição dos tecidos leves e pesados e suas variantes proporções, garantiram equilíbrio e porte eqüino! Cartela do campo: verde musgo, marrons, black, canela, folha seca,laranja e azulados, SEMPRE com texturas brilhosas,reluzentes e sofisticadas. Alfaiataria, limpeza de linhas e algumas poucas e boas sobreposições. Chique que dói!







Osklen : guerrilheiras verdes ergueram a bandeira em prol da sustentabilidade – esse é o espírito da coleção de inverno 2012 da Osklen. O estilista Oskar Metsavaht, desde sempre engajado nessa causa, foi o responsável por traduzir as questões socioambientais em roupas. Para começar, tecidos orgânicos e ecológicos, logo depois, a estampa camuflada com motivos super geometrizados: atual e idealista! Outra estampa interessante apareceu, essa adaptava as folhagens amazônicas ao clássico flower power setentista . O shape bem construído e minimalista, tão característico da marca, foi revigorado por cores incisivas e vibrantes: azul Klein, laranja, vermelho e  verde musgo. O também clássico mescla e preto da Osklen apareceram, sim. Sobreposição, transparência localizada e o comprimento míni ajudaram a contar essa história necessária: a natureza está em migalhas e os estilistas devem, mais do que nunca, pensar e/ou fornecer novas propostas para o vestir. Necessidade global e atual !